quarta-feira, 25 de maio de 2016

Avaliação final do projeto ‘Mata Atlântica nas Escolas’ é publicada em livro

Organizado pelo Professor Giovanni Seabra, o livro intitulado ‘Educação Ambiental: o capital natural na economia global’ apresenta reflexões realistas de diferentes pesquisadores acerca do discurso sobre as questões ambientais, a partir de diferentes experiências e perspectivas que englobam a sustentabilidade no ambiente globalizado.


Dentre os artigos presentes, o projeto ‘Mata Atlântica nas Escolas’ se faz presente nesta obra, através do trabalho intitulado ‘Cidadania ativa e criatividade para a conservação da Mata Atlântica na Paraíba’, escrito pela Prof.a Lígia Maria Tavares da Silva (coordenadora), que apresenta os resultados alcançados com as atividades realizadas no decorrer de vigência do projeto. Confira abaixo o resumo:


“Este artigo versa sobre o projeto de educação ambiental ‘Mata Atlântica na Paraíba: cidadania ativa e criatividade para conservação’, integrante do projeto institucional ‘A UFPB na sua Escola: a ciência em suas mãos’, financiado pelo Edital ‘Capes Novos Talentos’, executado nos anos de 2014 e 2015. O referido projeto tem por objetivo construir uma consciência cidadã sobre a importância da Mata Atlântica, sua paisagem, biodiversidade e ameaças que vem sofrendo ao longo da história da ocupação do território brasileiro. O projeto chama a atenção dos professores para a necessidade de estimular nas escolas, a conservação da floresta tropical na Paraíba e em João Pessoa, por meio de palestras, oficinas e trabalhos de campo orientados – trilhas. Para uma abordagem integrada da problemática referente a Mata Atlântica, foram consideradas as seguintes perspectivas: a ambiental, a histórica, a política e a comunicação digital. Essas abordagens serviram para estimular professores e alunos na pesquisa para a elaboração e produção de conteúdos digitais, ou seja, de fotografias e vídeos, e de criação e manutenção de blogs sobre denuncias, levando a participação em campanhas ambientais, na cidade e nas redes sociais, construindo uma consciência cidadã. Isso posto, faremos uma breve exposição sobre os temas tratados ao longo do projeto para, em seguida, relatarmos as atividades realizadas, avaliando os resultados obtidos.”



O livro, originalmente lançado no IV Congresso Nacional de Educação Ambiental e VI Encontro Nordestino de Biogeografia, realizados simultaneamente nos dias 20 a 23 de abril, no Campus I da UFPB, em João Pessoa, conta com a colaboração de professores e pesquisadores do Brasil e da América Latina, podendo essa e outras publicações serem acessadas direto no site do Congresso, através do link abaixo. 

Site CNEA - http://www.cnea.com.br/  (Em publicações)
Edição e texto: Diôgo da Silva Santos

domingo, 15 de maio de 2016

Denúncia de invasão urbana: destruição da Mata Atlântica em João Pessoa

A indignação de uma aluna foi o suficiente para nos levar a uma área da cidade conhecida por loteamento da ASSPOM – Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar, no limite de Mangabeira, perto da Mata de Jacarapé - Aratu. Em 2010, neste local foi construído sem licenciamento ambiental, casas de moradia ausentes de infraestrutura básica: esgotamento, energia, calçamento ou água encanada. Atualmente, as casas estão prontas, porém impróprias para moradia, pois sequer existe abastecimento de água no local.


Essa invasão ocasionou desmatamento de parte da floresta encontrada na região, além de ter incentivado negócios imobiliários, incentivando a ocupação indevida no local de populações carentes, que migraram para a área, levantando barracos e criando até vilas com porteira.


Abrindo fendas na Mata, estradas de barro e colocando estacas e cercas em terrenos, a Associação dos Moradores do Parque Aratu, entidade privada, criada em 2012, para trazer benefícios aos moradores invasores, movimenta a economia local e vende lotes por quinze mil reais.


O Governo do Estado decretou a criação de um Parque Estadual no ano passado, e cercou parte da área, talvez para tentar salvar os resquícios de Mata ainda encontrados na região, já que não prioriza a contenção indevidas dessas invasões.


De fato, toda essa área deveria estar protegida, pois é uma das áreas prioritárias de conservação de Mata Atlântica, de acordo com o Plano Municipal de Mata Atlântica, que diagnosticou a área envolta do Centro de Convenções (Parques Estaduais do Aratu, do Jacarapé e Trilha dos Cinco Rios) como prioritárias para proteção do verde ainda encontrado em João Pessoa, por conta da importância ecológica, promovendo amenização climática, absorvendo calor e poluição, ajudando a amenizar e drenar as grandes chuvas e permitindo a vida de várias espécies animais e vegetais, entre outros serviços ambientais. 

Mas os seres humanos não podem ver uma área verde que chamam de vazia e querem ocupar, instalando grandes equipamentos que atraem a especulação imobiliária como é o caso do Centro de Convenções.


Nessa imagem pode-se ver os focos e incêndio que iniciam as queimadas para a invasão por cercamento.


O argumento de representantes da associação (privada) é o déficit de moradia, mas no local foram observadas ocupações de grandes terrenos, com casas de alvenaria, muros e carros na garagem.


Uma vez consolidada a invasão, fica o déficit de floresta, de lençol freático com água de qualidade, de biodiversidade, ou seja, de qualidade de vida.  No futuro, a cidade terá que pagar, com os impostos coletados, a infraestrutura da invasão. Consolida-se assim a expansão urbana, enriquecendo alguns espertalhões à custa dos recursos naturais e dos bens sociais e econômicos de toda a população municipal. E essa tragédia acontece debaixo de nossas vistas.

domingo, 24 de abril de 2016

Comemorando o Dia da Terra na Mata Atlântica da UFPB


Em comemoração ao dia da Terra, e como atividade inserida na programação do IV Congresso Nacional de Educação Ambiental & VI Encontro Nordestino de Biogeografia – CNEA 2016, o projeto de extensão ‘Rotas da Mata Atlântica’ em parceria com o ‘Mata Atlântica nas Escolas’ promoveu uma caminhada socioecológica no Campus I da UFPB na manhã dos dias 21 e 22 de abril, juntamente com congressistas e interessados em conhecer mais sobre o bioma Mata Atlântica.

Objetivando despertar a atenção dos participantes e da própria comunidade universitária sobre a importância em divulgar os projetos sociais, artísticos e ambientais realizados pela UFPB, alunos e professores originários de todas as regiões do Brasil, tiveram a oportunidade de vivenciar uma manhã saudável, lúdica e informativa junto a natureza encontrada no Campus, com a distribuição do mapa oficial do ‘Rotas’ e exemplares do livro ‘Mata Atlântica nas escolas', e a divulgação de informações  sobre a Mata Atlântica de João Pessoa.

Na ocasião, os monitores presentes apresentaram as ações sustentáveis realizadas pelo Campus em prol da conscientização ambiental, divulgando os projetos realizados no Campus I da UFPB, tais como o trote verde, as ações efetivas da Comissão de Gestão Ambiental da UFPB, e o próprio ‘Rotas da Mata Atlântica’.


A caminhada teve início em frente ao prédio da Reitoria, na ‘Rota do Pôr-do-sol’ que seguiu pelo Miniparque do Pau-Brasil – situado em frente à Biblioteca Central – E seguiu até o Espaço Ecumênico, onde os participantes se encantaram com a feira Agroecológica, realizada todas as manhãs de sexta-feira no Campus. Logo após, houve uma pausa para apresentação dos presentes, advindos de todas as regiões do Brasil, e um breve alongamento e aquecimento como prática importante antes de qualquer esforço físico.


Seguindo a caminhada, os participantes seguiram pela ‘Rota das Belas-Artes’, em direção ao Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA), onde no local eles puderam vislumbrar o verde de algumas árvores da Mata Atlântica que se integram à arte urbana do local, realizada pelos próprios estudantes de Artes Visuais da UFPB, num harmonioso equilíbrio entre cultura urbana e natureza, e conheceram a Galeria Lavandeira, que expõe trabalhos artísticos dos alunos e convidados do mundo das artes visuais.


Logo após, a atividade continuou em direção a ‘Rota do Sagui’, onde no Coreto da Educação Física, os participantes puderam conhecer um pouco mais sobre a Comissão de Gestão Ambiental da UFPB e seus trabalhos realizados dentro do Campus, além do projeto das Pontes Ecológicas Artificiais, utilizadas para interligar os fragmentos de Mata Atlântica, através de corredores ecológicos artificiais para a movimentação dos animais entre os fragmentos.


Em seguida, os participantes seguiram em direção ao ‘Bosque do CCS’ – um fragmento de Mata Atlântica em estado de regeneração – e os monitores finalizaram a caminhada com a realização de uma roda de conversa, onde os participantes puderam comentar sobre a experiência de conhecer o Campus e do que eles levam de conhecimento para os seus lares e universidades Brasil afora.


Segundo os depoimentos dos participantes, a caminhada realizada que apresentou o bioma Mata Atlântica do Campus, o projeto ‘Rotas’ e tantos outros projetos de educação ambiental realizados na UFPB, foi bastante louvável e de grande valia, pois cada projeto despertou esperança e a vontade de fazer a diferença em suas próprias localidades.

Ao final da atividade, os participantes da atividade deram as mãos dentro do Bosque e ecoaram a frase: ‘Viva a Mata Atlântica’, como forma de agradecimento ao Dia da Terra e ao momento de troca de experiência tão enriquecedor. 


Nós do projeto, cidadãos de João Pessoa, nos sentimos honrados com essa oportunidade dada e confiantes de que estes projetos realizados pela UFPB, que aproximam a comunidade do dia a dia da universidade é de extrema importância para a construção cidadã de uma visão mais sustentável e ambiental. 

Texto e edição: Diôgo da Silva Santos
Fotos: Alex David, Diôgo Santos e Elinajara Pereira
Apoio à atividade: Vanine, Ginaldo, Elinajara, Diôgo, Alex e Imaculada.
Agradecimentos: Congresso Nacional de Educação Ambiental 2016.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Desmatamento na Mata próxima ao Centro de Convenções!

O ‘Mata Atlântica nas Escolas’ atualiza o blog com informações nada agradáveis no que diz respeito ao meio ambiente e, propriamente sobre a Mata Atlântica do nosso município. Após denúncia ambiental compartilhada nas redes sociais, no dia 03 de março de 2016, sobre possível desmatamento na Mata do Jacarapé e arredores do Centro de Convenções, a equipe ‘Mata Atlântica nas Escolas’ esteve no local e relata a seguir o que foi visualizado após parte da destruição do verde de áreas que deveriam ser protegidas em nossa cidade (Parque do Jacarapé, Parque Estadual Aratu e Parque Estadual Trilha dos Cinco Rios).

Lixo próximo ao Centro de Convenções. João Pessoa, 2016. 

“A cena presenciada foi de um crescimento urbano devorando tudo e de maneira muito rápida. Atualmente, edifícios brotam do dia pra noite como um passe de mágica mudando drasticamente a paisagem. Antigamente, o surgimento de um bairro acontecia de uma forma muito lenta e era dividido em varias etapas, já hoje em dia, o processo é outro: a vegetação em questão de poucas horas é destruída dando lugar aos materiais de construções e a equipe de construtores.

Crescimento urbano nas proximidades do Centro de Convenções. João Pessoa, 2016.
Lixo e entulho e desmatamento em área verde. João Pessoa, 2016.

Se analisarmos imagens no Google Earth, veremos que a distância entre a cerca de domínios do Centro de Convenções para o loteamento da ASPOM (Associação da Polícia Militar) diminuiu drasticamente, de estimados 3 a 5 km para 600 metros em poucos anos, ou seja, a expansão e criação destes equipamentos localizados próximos à PB-008 são exemplos que favorecem o desenvolvimento, entretanto, verifica-se também o grau intenso de desmatamento da Mata Atlântica nesta mesma região, pois a expansão urbana invade aquele espaço com uma magnitude violenta. 

Crescimento de Mangabeira, beirando o Centro de Convenções, no plano mais fundo. João Pessoa, 2016.

O loteamento que está na fase final de construção chama-se ASPOM (Associação da Polícia Militar), será destinado aos integrantes da Policia Militar por meio do governo da Paraíba. Esta se situa em Mangabeira VIII por trás do terminal de ônibus Patrícia Tomaz. Além da Mata que foi devastada existe ainda muita presença de lixo de diversos tipos de materiais (escritórios, eletro eletrônico, restos de construções, etc.) além de carcaças de animais de grande porte (ossadas), algumas fotos foram tiradas com um ângulo que percebemos a proximidade do Centro de Convenções.


Como se não bastasse outras áreas estão sendo ocupadas por favelas sem o mínimo de condições de estrutura: as paredes são feitas de retalhos de lixo, placas, zincos, lonas, e papelão. Inclusive, novas áreas serão devastadas brevemente inclusive com placa sinalizada pelo Governo. É deprimente perder uma área tão linda com tantas árvores de grande porte. Outras áreas próximas também estão com loteamentos definidos a todo vapor como Jacarapé e Praia do Sol.

Crescimento desordenado e carcaça de animal morto  na área. João Pessoa, 2016.

Dessa forma perdemos cada vez mais nosso espaço verde para dar lugar ao cinza do desenvolvimento, de brinde teremos mais calor, problemas urbanos, poluição e saúde”.

Para conhecimento de todos, os Parques Estaduais do Jacarapé, do Aratu e Trilha dos Cinco Rios são áreas decretadas como parques pela Sudema para proteção da biodiversidade e conservação da Mata Atlântica ainda encontrada em João Pessoa e este tipo de atitude descrita acima não condiz com o modo que tais áreas deveriam ser tratadas. 

Texto e fotos: Everaldo Batista

Edição: Diôgo da Silva Santos

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Lançamento de Livro 'Novos Talentos' na UFPB!

O ‘Mata Atlântica nas Escolas’ está ligado a uma rede de mais três subprojetos que também buscam incentivar a participação de alunos e professores da rede pública nas atividades realizadas na Universidade por meio do projeto geral ‘Universidade Federal da Paraíba em sua Escola: A Ciência em suas Mãos’, financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal Superior (CAPES), através do Edital Novos Talentos na Escola, de 2012.

O projeto ‘UFPB na sua escola: a ciência em suas mãos’ apresenta quatro subprojetos que visam aproximar os cursos de graduação e pós-graduação da UFPB das escolas parceiras, valorizando a cultura científica no que se refere ao uso da ciência e tecnologia nas áreas ciências exatas e da natureza, ambientais e de engenharias, com o suporte das novas tecnologias da comunicação, educação e linguagens.
Dentre esses subprojetos, encontram-se as ‘Oficinas de apoio psicopedagógico na aprendizagem das ciências e da escrita: aprender a aprender’, que focaliza os processos formativos de ensino-aprendizagem da ciência e o desenvolvimento das competências de escrita e reescrita como requisito fundamental para a ampliação de docentes e discentes da educação básica.

Como resultado dessas experiências, na tarde de ontem (16/12), no Auditório 411 do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA), aconteceu o lançamento do livro ‘Novos Talentos na Escrita em Sala de Aula’, da Prof.a Regina Celi Mendes Pereira, que serve como registro e meio de divulgação desta experiência que foi extremamente gratificante para todos os integrantes do projeto. 

Na ocasião, professores e alunos que participaram das atividades realizadas estiveram presentes e falaram sobre a sua experiência pessoal em ter participado das oficinas. Além disso, autores e professores presentes também comentaram sobre a importância da inter e transdisciplinaridade em sala de aula através dos projetos realizados.
 Prof.a Claudia Braga (coordenadora geral do projeto) e Prof.a Regina Celi

Professores e alunos participantes compartilhando suas experiências no projeto

Com o propósito de divulgar novos talentos em áreas distintas, a Prof.a Regina Celi convidou para a abertura do evento o jovem violinista Vinícius, que tocou e encantou os presentes com a canção Aquarela, do Vinícius de Morais. E o grupo AEDOS, composto em sua maioria por estudantes, que realizam performances poéticas e musicais com o intuito de divulgar a poesia, em especial a paraibana, homenageou o poeta Augusto dos Anjos em sua apresentação. 
Violinista Vinícius, grupo AEDOS e platéia presente

Logo após a fala final, os presentes foram convidados ao coffee break especial, que se estendeu até o início da noite. A equipe ‘Mata Atlântica nas escolas’ parabeniza a iniciativa da professora Regina Celi e dos professores envolvidos, e estamos felizes em vivenciar este momento junto aos colaboradores do projeto na perspectiva por outras iniciativas significativas como esta. 


Texto, edição e fotos: Diôgo da Silva Santos. 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Plano Municipal da Mata Atlântica na COP21

Vivian Maitê Castro, é colaboradora do projeto Mata Atlântica nas escolas e trabalha na SOS Mata Atlântica. Recentemente, ela foi à Paris apresentar um trabalho sobre a Políticas Públicas de Planos Municipais da Mata Atlântica, que começou em João Pessoa. Conheça essa história, na entrevista para o blog.

Blog: Como começou o seu interesse pela proteção e conservação da Mata Atlântica?

Vivian: O interesse começou com o conhecimento sobre o impacto que as cidades têm na Mata Atlântica brasileira. Me engajei num movimento ambientalista em João Pessoa, trabalhei em ONGs, e com a professora Lígia Tavares, que me estimulou a ter uma visão crítica sobre a questão ambiental. Depois fui trabalhar com ela na Secretaria Municipal de Meio Ambiente, na área técnica quando resolvi também fazer Mestrado no Prodema – UFPB, onde trabalhei o Ambientalismo nas políticas públicas, sobretudo na cidade de João Pessoa, e daí não saí mais.

Blog: Fale um pouco sobre a sua experiência na defesa da Mata Atlântica na Paraíba

Vívian: Existem alguns movimentos antigos, pouca coisa recente, e a minha experiência é de poucos militantes, sempre os mesmos, que permanecem na batalha, fazendo as manifestações. A gente tem a adesão de poucos jovens nas manifestações e nas brigas propostas na cidade. Infelizmente, o Ambientalismo é uma questão pouco abordada nas áreas de estudo e dentro da sociedade de uma forma geral, e por isso acaba sendo mais difícil atrair pessoas para o movimento. Pela dissociação que existe entre as pessoas e o ambiente, elas acham que estes são problemas externos e outras coisas são focos principais. E a minha experiência é trabalho de formiguinha de conscientização, de conversar, de falar.

A defesa da Mata Atlântica, efetivamente, começou na Secretaria de Meio Ambiente com a elaboração do Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica, que foi o primeiro do Brasil, e foi levado como exemplo pra outros municípios no país. Esse plano foi feito em parceria com a ONG SOS Mata Atlântica, que fazia uma mobilização pouco expressiva e quando João Pessoa fez o primeiro modelo de plano, nos unimos com a ONG para viajar para outros municípios e levar esse exemplo, fomentando os planos municipais. E isso deu tão certo que cinco anos depois entrei na SOS para fazer a mesma coisa.

Blog: Quer dizer que o município de João Pessoa tem uma relevância no cenário da conservação da Mata Atlântica no Brasil?

Vívian: Sim, tem uma relevância importante. Já estavam ali todas as metas feitas pelo governo municipal para a conservação e recuperação da Mata Atlântica, só que fomos prejudicados pelas mudanças políticas que promovem a descontinuidade dos projetos. João Pessoa é sempre mencionada na SOS Mata Atlântica e em outros municípios que se basearam em nosso Plano. Estamos agora no momento de revisar o plano pra que ele volte a ser implementado pois, infelizmente está parado.

Blog: Na sua opinião, como se encontra o estado de conservação da Mata Atlântica atualmente na Paraíba?

Vívian: Bem mal. Em João Pessoa, a gente encontra grandes fragmentos, que eu chamo de pequenas florestas, como a Mata do Buraquinho, Altiplano Cabo Branco, nas áreas do Jacarapé e Aratú, mas não temos arborização urbana suficiente e pequenos fragmentos são desmatados para a expansão urbana.

Mas eu tenho uma notícia boa, a SOS está lançando este mês de dezembro um site chamado ‘Aqui tem Mata?’. É um site que traduz numa linguagem popular os dados do atlas de remanescentes, da SOS. Daí você digita com o nome da sua cidade e o link informa quantos habitantes tem, quanto de Mata Atlântica tem restante, acima de três hectares, e quanto isso equivale em tamanho de estádios do Maracanã. Quando fui testar o site, cliquei João Pessoa e Pau Dalho (cidade de Pernambuco), pequenininha, que tem 15 vezes mais Mata Atlântica que João Pessoa. Fiquei chocada, porque todo mundo fala que João Pessoa é uma cidade verde, mas quando você clica, aparecem só dois ou três estádios do Maracanã!

Blog: Nós sabemos que você está indo a Paris (COP21) apresentar um trabalho sobre a Mata Atlântica. Você pode falar sobre isso?

Vívian: É um trabalho voltado para a questão do ambientalismo no Brasil e de como aconteceu a formulação da Constituição de 1988 e a Lei da Mata Atlântica, que é fruto do movimento ambientalista e os planos municipais da Mata Atlântica, que são o primeiro requisito para a conservação da floresta. Então, eu vou apresentar um pouco do que eu aprendi no Mestrado com o trabalho que eu faço atualmente na SOS, com os resultados obtidos neste primeiro ano do programa de municípios mobilizados para a realização do Plano da Mata Atlântica, que é um planejamento ambiental para pensar as cidades sustentáveis a partir do ambiente e não da infraestrutura. Será apresentado na Conferência da Juventude, em sua 11ª edição, que acontece antes da Conferência oficial do Clima, e ela tem uma programação bem vasta relacionada a temáticas ambientais.

Blog: Qual a relação entre Plano Mata Atlântica e as mudanças climáticas?

Vívian: O Plano municipaliza a responsabilidade sobre o meio ambiente, processo que já aconteceu em outras cidades da Europa, onde os municípios tem autonomia e segurança para fazer o planejamento urbano. E o Plano mostra que a cidade precisa ter o olhar para a questão ambiental, para não ter crises no futuro, como a da água, engarrafamentos que promovem a poluição e que poderiam ser evitados com um planejamento prévio. A gente acha que uma pequena mata não faz diferença na questão da temperatura, e na verdade faz: nós temos níveis de temperatura diferentes dentro da cidade de João Pessoa, por exemplo, o bairro de Manaíra tem dois graus a mais que outros bairros que tem menos árvores, além da questão do nível do mar, que é um outro fator, que vai nos atingir em João Pessoa. Então o Plano vem com a ideia dos municípios serem mais sustentáveis e estarem preparados para a conservação do bioma e trazer uma temperatura mais amena.

Blog: Existem outros municípios na Paraíba que têm interesse no Plano da Mata Atlântica?

Vivian: Sim. Existe o município de Mamanguape, que está em processo de elaboração de seu Plano Mata Atlântica. O município de Cabedelo que assinalou uma vontade, mas não iniciou as atividades. Bayeux já sinalizou o seu interesse, porém, também ainda não começou e ele tem uma grande área para criação de Unidade de Conservação em manguezal.

Blog: Vivian, o projeto ‘Mata Atlântica nas escolas’ deseja a você muito sucesso na defesa de nossa Mata Atlântica lá em Paris.

Vivian Maitê na COY - Conferência para a Juventude, da COP21


Entrevista feita no dia 23 de novembro de 2015. 
Edição: Diôgo Santos.
Para saber sobre a Mata Atlântica na sua cidade, acesse: http://www.aquitemmata.org.br


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Inspire-se com o Instituto Canto Vivo

            O Instituto Canto Vivo é uma ONG Sergipana que iniciou as suas atividades em 2001 e atualmente desenvolve projetos voltados ao reflorestamento, à reprodução e distribuição de mudas e sementes da Mata Atlântica, além de inclusão, reciclagem e educação ambiental nas escolas. De lá pra cá, a ONG tem crescido em voluntários e parceiros, além de ter expandido o seu campo de atuação, estando presente com seus projetos ambientais nos estados vizinhos.

            Uma das ações desenvolvidas pelo Canto Vivo é o projeto ‘Uma Floresta na Cidade’, realizado há mais de 3 anos, onde voluntários e parceiros da ONG saem às ruas para a distribuição de sementes do bioma Mata Atlântica no Dia da Árvore, 21 de setembro. O objetivo é dar à população condições de contribuir com a arborização de suas cidades e conscientizar as pessoas acerca dos benefícios trazidos por um espaço público repleto de árvores.

Fonte: Divulgação

            Idealizando a participação de João Pessoa no circuito das cidades que receberiam a mobilização no Dia da Árvore, a equipe ‘Mata Atlântica nas Escolas’ entrou em contato com a ONG e conseguiu uma parceria verde: O Instituto Canto Vivo doou cerca de 1.500 sementes de árvores (Cedro, Ipê Amarelo, Falso Pau-brasil, Urucum e Aroeira Vermelha) da Mata Atlântica para distribuirmos em nossa cidade. São elas:

Cedro - árvore da Mata Atlântica de grande porte, pode atingir de 20 a 30 metros. Flores brancas. Perde toda a folhagem nos meses de julho a setembro. Plantio em mata ciliar, bosques, praças ou áreas degradadas.


Ipê Amarelo - medindo cerca de 30 metros quando adulta, esta árvore possui copa alongada e alargada na base. As raízes de sustentação e absorção são vigorosas e profundas. A floração inicia-se no final de julho e vai até setembro, podendo ocorrer alguma variação devido a fenômenos climáticos.


Falso Pau-brasil - Nativa da mata atlântica, de grande porte, pode chegar a 17 metros. As sementes são utilizadas para fazer artesanato.


Urucum - é o fruto do urucuzeiro ou urucueiro (Bixa orellana), nativa na América tropical, que chega a atingir altura de até seis metros. Apresenta grandes folhas de cor verde-claro e flores rosadas com muitos estames.


Aroeira Vermelha - árvore da Mata Atlântica brasileira de médio porte, pode chegar a 6 metros. Muito utilizada na arborização urbana.


            Sendo assim, se você tem interesse em adquirir algumas dessas sementinhas para transformá-las em mudas e plantá-las em algum espaço público da cidade ou até no seu quintal ou área verde, entra em contato conosco que teremos o maior prazer de entrega-lo e iniciarmos a revolução verde também em nossa cidade. Vamos lá!


            A equipe ‘Mata Atlântica nas Escolas’ agradece a doação do Instituto Canto Vivo e parabeniza à Cristiane Nogueira, em nome de todos os voluntários e parceiros da ONG, pelos projetos ambientais realizados desde 2001. Acreditamos que essas iniciativas possuem papel fundamental de conscientização ambiental e dão suporte para a transformação do ser humano, no caminho para um mundo mais justo, solidário e sustentável. 

Texto e edição: Diôgo da Silva Santos